Aniversário de Bob Marley em Kingston


Kingston, 5h50. “O sol está atrasado”, avisa o segurança ao abrir o portão para nosso carro. Somos os primeiros? “Yeah mon”, responde, afirmativo.

Meu último dia na Jamaica começou na madrugada e seguiu embalado por uma névoa perfumada de maconha, incensos e temperos caribenhos. Após dez dias perambulando por suas principais cidades, numa busca nem sempre feliz pelas raízes do reggae, chegou a hora de dizer adeus em grande estilo, no casarão onde Bob Marley morou de 1975 até sua morte em 1981 . Hoje, o lugar é o museu mais visitado da ilha. E, nesta manhã de 6 de fevereiro, sedia a festa para o que seria os 69 anos do jamaicano mais influente do mundo.

A matéria completa saiu na edição deste mês da Playboy. O que se seguiu foram horas de batucadas da turma do Nyabinghi Centre, uma comunidade local de rastafaris, e um fumacê constante. Tinha até um rapaz com a filha pequena vendendo ganja como se fosse normal (e não é, na Jamaica ainda é ilegal).


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Teve bolo até e boa parte do clã Marley apareceu, como Julian, um dos 11 filhos do cantor.

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A festa foi na área externa do museu, um casarão de estilo colonial que Marley morou, trabalhou e jogou muita bola. Fica numa área nobre da cidade e havia pertencido a Chris Blackwell, fundador da Island Records e responsável por lançar Marley no mundo quatro décadas atrás com o álbum “Catch a Fire” (1973).

O produtor inglês de 76 anos continua poderoso na ilha e é dono de resorts e restaurantes. O mais famoso é o hotel Strawberry Hill, nas Blue Mountains, a 20 km de Kingston, onde Peter Tosh e Mick Jagger gravaram o videoclipe de “(You Gotta Walk And) Don’t Look Back” (1978)  e onde Marley se refugiou ao sofrer o atentado de 1976.

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Voltando ao museu… Dá para ver da porta o quarto que Bob e Rita Marley dividiram, com um retrato de Haile Selassie em cima da cama. Sua touca rasta colorida está dentro de uma caixa de vidro e suas sandálias de couro, ao lado da cama. A cozinha não tem geladeira, já que o músico gostava de tudo fresco. Pelas paredes, além de álbuns de platina e fotografias, há roupas emolduradas, como sua bermuda favorita para jogar bola.

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Foi aqui também que ele gravou diversos discos, como “Exodus” (1977) e “Uprising”(1980), ao remontar no térreo da casa a Tuff Gong Recording Studios, que iniciara anos antes com os colegas Peter Tosh (1944-1987) e Bunny Wailer.

Hoje, o estúdio tem vida própria em outra locação de Kingston, na qual Marley nunca botou os pés. O novo espaço abrigara antes o  estúdio Federal, o mais antigo da Jamaica e da onde saíram as primeiras ondas de ska e jazz jamaicanos. Diz a lenda que, certa vez, o então desconhecido Bob foi proibido de entrar por ser rastafari e, contrariado, prometeu que um dia compraria aquilo tudo. Foi assim que Rita resolveu adquirir o complexo, no ano da morte do marido.

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