O novo filme de Matthew Barney

O novo trabalho de Matthew Barney cheira mal. O artista americano, conhecido pelo celebrado ciclo de filmes “Cremaster”, é o primeiro a aparecer na tela de “River of Fundament” (rio de fundamento), saindo de um rio de fezes e metendo a mão numa privada para pegar um cocô. Ele o embrulha numa folha de ouro, antes de ser sodomizado por uma criatura que ejacula mercúrio. Tudo isto tudo apenas na sequência de abertura do longa de mais de cinco horas, exibido em Los Angeles em abril.

O longa faz parte de uma grande exposição inaugurada em setembro, no museu Moca, em cartaz até 18 janeiro.

Realizado num período de sete anos, “River” é sua obra de maior fôlego desde “Cremaster” (1994-2002) e também seu trabalho mais narrativo, com atores de verdade e até alguns rostos famosos, como Maggie Gyllenhaal. Funciona quase como uma ópera, com uma história épica difícil de compreender sem uma leitura prévia do libreto. Lendas do Egito Antigo, os fantasmas do escritor Norman Mailer (1923-2007) e a genitália de Paul Giamatti se intercalam com performances gravadas ao vivo, uma delas com uma dupla de lutadores brasileiros.

O cenário central é a casa de Mailer em Brooklyn Heights, em Nova York, reconstruída pela equipe de Barney e com seus livros originais. O escritor é o protagonista, e a história começa em seu velório na sala de jantar. Enquanto seus amigos relembram o grande autor de “A Canção do Carrasco” (1979), sua alma começa a reencarnar no subsolo da residência, por onde precisa atravessar o esgoto.

Antes do mergulho, é bom saber o contexto. Perto da morte, aos 84 anos, Mailer pediu que Barney lesse e considerasse adaptar seu livro “Noites Antigas” (1983). Para Mailer, o calhamaço de mais de 600 páginas era sua obra-prima, embora tivesse sido destruída pela crítica no lançamento.

Barney, que havia escalado Mailer para viver o mágico Houdini em “Cremaster 2”, topou a encomenda, mas impôs seus próprios termos: os deuses egípcios superssexualizados do romance são transpostos para os EUA de hoje, ora como criaturas fedorentas que assombram a casa de Mailer, ora como automóveis clássicos que passam por rituais de desmanche.

Leia matéria na íntegra aqui, no caderno Ilustríssima, da Folha de S. Paulo

O MOCA exibe o filme todas as quinta, sábados e domingos.

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