Fritz Lang em Los Angeles

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O assobio sombrio percorre os corredores escuros da exposição. É o trecho em que o assassino de crianças compra um balão para sua próxima vítima, no clássico “M, O Vampiro de Düsseldorf” (1931), de Fritz Lang (1890-1976). No fundo da mostra, instalada no alto de uma parede, a robô Maria, de “Metrópolis” (1927), observa os visitantes do Lacma, o Museu de Arte do Condado de Los Angeles.

Um dos nomes mais importantes do expressionismo alemão, Lang aparece em duas exposições na cidade que celebram o movimento artístico no cinema e a influência de imigrantes europeus em Hollywood.

Em “Haunted Screens” (telas assombradas), em cartaz até abril no Lacma, há uma centena de desenhos de sets e fotografias de filmes do cinema alemão dos anos 20, incluindo obras de F. W. Murnau (1888-1931), Robert Wiene (1873-1938) e G. W. Pabst (1885-1967). Um corredor inteiro é dedicado a registros de escadas, uma temática recorrente dos expressionistas, e num paredão há pôsteres da época.

“O cinema expressionista serviu de catalisador para gêneros subsequentes, mais notavelmente os filmes de terror. E a ênfase na psicologia moderna estabeleceu um precedente para o que veríamos depois em quase todo filme de ficção científica”, disse Britt Salvesen, curadora do Lacma. No próximo domingo (19), o museu promove um debate sobre os efeitos especiais de “Metrópolis”.

Lang nunca deixou L.A.: seu corpo está enterrado no cemitério Forest Lawn Hollywood Hills.

CAFÉ DE “CASABLANCA”

Lang, como Pabst e outros diretores do período, deixou a Alemanha com a chegada dos nazistas ao poder, em 1933, e acabou em Hollywood, onde fez meia dúzia de longas, como o “noir” “Um Retrato de Mulher” (1944) e o filme de guerra “O Grande Segredo” (1946).

Os dois trabalhos serão exibidos na mostra “Light & Noir”, no centro cultural judaico Skirball (de 23/10 a 1/3), sobre europeus que chegaram entre 1933 e 1950 e fizeram parte da Era de Ouro.

Filmes antinazistas, “noir” e comédias ganham destaque na exposição, que terá figurinos de Ingrid Bergman e Marlene Dietrich, um dos Oscars de Billy Wilder, além de móveis e objetos de cena do café Rick’s de “Casablanca” (1942).

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