Procurando Bob Marley – Nine Mile

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Nine Mile, na Jamaica, é um dos lugares mais sagrados da biografia de Marley, onde ele nasceu e está enterrado.

Foram duas horas de estradas mal sinalizadas e trechos montanhosos esburacados. Murais pintados com os heróis jamaicanos e bares coloridos não disfarçam a pobreza generalizada.

É preciso tirar os sapatos para visitar o túmulo de mármore de 2,5 metros de altura, cercado de lembranças de fãs, como um guarda-chuva etíope.

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O casebre quarto e sala que ele morou quando criança continua lá, com pôsteres nas paredes e uma cama de solteiro (a terceira cama do astro que vi na Jamaica). Foi neste vilarejo rural que ele conheceu Bunny Wailer, cujo pai namorou sua mãe e levou todos para Kingston.

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O túmulo e o casebre ficam no mesmo complexo de muros altos, numa operação caça-níquel que estraga o clima de reverência. Há um restaurante-bar que tenta vender no início do tour copinhos de shot com um “drinque do Bob Marley” por US$ 10 e ao menos três lojinhas de souvenir, sem contar um show “improvisado”. Além dos US$ 20 de ingresso, o turista mais caridoso deixa um troco para os músicos e para o guia, que se despede do grupo ao lado do cartaz “One Love, One Heart, Tip Your Tour Guide and Feel Alright”.

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Do lado de fora do complexo, protegido por portões de ferro, uma molecada barulhenta e de olhos vermelhos vende maconha aos turistas (os mais afoitos oferecem baseados pelo vão das portas). Mesmo com cartazes é proibido fumar, os fumantes não são incomodados.

Uma experiência completamente oposta, e portanto mais solene, é visitar o mausoléu de Peter Tosh em Belmont, a 180 km de Kingston e boa parada para quem vai ou vem de Negril. O preço da entrada varia com o humor de quem estiver na porta, e se alguém estiver na porta. O rastafari Squid nos levou até a tumba de concreto e depois nos mostrou as plantinhas de ganja que cresciam no fundo da propriedade, um jardim que a mãe do músico costumava cuidar até morrer aos 96 anos, em 2013. Um plano para fazer um museu para o autor de “Legalize It” (1976) não foi para a frente, e é triste ver como só Marley brilha na Jamaica, ofuscando outros grandes do reggae.

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