Jerry Seinfeld: grande demais para a internet?

Sarah Silverman e David Letterman são os dois primeiros convidados da segunda temporada da série internética “Comedians in Cars Getting Coffee”, produzida e estrelada por Jerry Seinfeld.

Passa gratuitamente na internet e já tem três episódios online, além dos dez da temporada de estreia. O programa, que conta com um patrocinador (uma marca de carros), tem menos de 20 minutos e é exatamente isto: comediantes no carro indo tomar café e conversando sobre a vida e sobre a arte da comédia.

“Algumas pessoas acham que sou grande demais para a internet, e isto me irrita mais do que tudo. Mas tudo bem. Eu entendo”,  escreveu Seinfeld, num artigo da revista “Entertainment Weekly”. “Se é programa para a TV ou para a web, não há nenhuma diferença na minha abordagem. Coloco o mesmo esforço e trabalho. Só conheço um jeito de fazer as coisas.”

A série tem uma equipe de quatro pessoas e dois editores para a montagem final. Antes, havia um diretor, mas ele decidiu tomar conta do trabalho. Entre os entrevistados da primeira temporada, estão Larry David (foto abaixo), Ricky Gervais, Michael Richards e Alec Baldwin.

“É um anti-programa sobre um não-evento”, diz o Seinfeld. “Se você vai fazer algo sem formato, vamos colocá-lo numa não-mídia, que é a internet. É obviamente a melhor mídia do mundo, mas que não tem uma definição neste estágio atual […] A ideia de fazer algo para a internet e não conhecer o terreno (e ninguém conhece o terreno) era muito divertida.”

Sua vontade de fazer o seriado veio do desejo de falar sobre comédia e inspirar jovens talentos. Ele lembra que o livro “The Last Laugh”, de Phil Berger, foi decisivo na sua vida. Leu quando era garoto e decidiu na hora que seria comediante.

Mas, claro, na sua época não tinha ninguém para perguntar, pedir conselhos. No papo com  David Letterman, os dois lembram de suas estreias no microfone, desastrosas, sem nenhuma risada.

“Talvez de alguma maneira eu acredito que o único jeito de passar a arte da comédia para a próxima geração é falando sobre o assunto”, diz. “Você não escuta grandes conversas sobre comédia. Jovens precisam destas coisas.”

Meu episódio favorito até agora (e o mais revelador de todos) foi o último da primeira temporada, com Michael Richards, o Kramer de “Seinfeld” (foto acima). Seinfeld vai pegá-lo em casa com uma Kombi velha.

Lá pelo final, ele fala abertamente da cagada enrascada que se meteu em 2006, durante um stand-up no clube Laugh Factory, aqui em Hollywood. Alguém na plateia criticou suas piadas e ele desembestou xingando o cara com impropérios racistas. Ele diz que o incidente “acabou comigo; foi uma resposta egoísta, levei muito pro pessoal, devia ter engolido e ido pra casa”. Aparentemente, o escândalo o colocou num limbo, e Jerry lhe dá um incentivo para voltar à cena.

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