Entre o faroeste e a renascença

Já era noite em Beverly Hills, um sábado frio, lojas fechadas.

Um carro preto de janelas escuras parou no farol. O pequeno grupo que aguardava na calçada correu em direção. Bateram no vidro, gritaram. E veio o silêncio, um suspense. Quando o farol abriu, carros buzinaram.

E então aconteceu o milagre. A janela desceu, e Jeff Bridges surgiu de cabelos prateados e caneta em punho. Assinou papéis e até mesmo um violão, que sumiu dentro do carro e voltou autografado.

Bridges, o rei da garotada. Ou um “homem moderno da renascença”, como insistem os produtores de um filme sobre sua carreira, exibido na TV neste mês, “The Dude Abides”. Afinal, o cara é também músico, fotógrafo, pintor e ceramista.

O ator foi indicado pela segunda vez ao Oscar, pelo papel no faroeste “Bravura Indômita”, estreia do dia 11 no Brasil.

“Ele faz o tataravó de Lebowski”, brinca o diretor e amigo Peter Bogdanovich no documentário, fazendo referência ao personagem de “O Grande Lebowski”, tão atrapalhado como o assassino de aluguel do novo trabalho, ambos dos irmãos Coen.

Bridges, 61, conta que evitou ser ator porque não queria seguir os passos dos pais. Aos 14 anos, já tinha uma guitarra e logo depois uma música numa comédia com Dustin Hoffman. “Queria ser eu mesmo”, disse no evento de lançamento do documentário, num museu em Beverly Hills.

Na plateia, estava sua mulher, Susan, com quem é casado desde 1975 e tem três filhas. “Ele tem o que eu chamo de filosofia-total”, ela explicou. “Ele está sempre num caminho, estudando alguma coisa. Pode ser budismo, pode ser outra coisa.”

Brigdes vai lançar neste ano um disco de country blues pela mesma gravadora de Norah Jones e produzido por T-Bone Burnett. O nome da banda será The Royal We, homenagem ao Lebowski.

Desde daquela noite em Beverly Hills, passei a ver todos os filmes de Bridges disponíveis no Netflix. É incrível como ele era gato. E como ele escolhe personagens ótimos, embora um tanto seguros, cheios de simpatia ou compaixão.

Ele afirmou que está negociando com Bogdanovich uma sequência dos filmes “A Última Sessão” (1971) e “Texasville” (1990), baseados nos livros de Larry McMurtry (no total, são cinco livros). Fui atrás desses dois, que se passam numa cidadezinha bem inha mesmo, interior do Texas, com algum petróleo.

É incrível que o “Texasville” volta para falar dos mesmos personagens 30 anos depois.

Brigdes deixa de ser o rapaz ingênuo apaixonado, que no filme em preto e branco termina tendo que ir para a guerra. Ele volta como um empresário milionário, embora cheio de dívidas e bastante infiel com sua mulher. Mora numa casa enorme com vários filhos e netos.

Já Cybill Shepherd, que era a garota mais popular do pedaço , agora está com algumas rugas e voltando à região após virar atriz de segunda linha na Itália. Ela fica melhor amiga da mulher de Bridges e até um caso entre as duas é sugerido.

O mais legal desses dois filmes é que você entra na vida de cada pessoa, participa, nem liga que são mais de duas horas de duração. Poderia ficar o dia todo vendo, como novelas, seriados. Seria realmente sensacional ter mais outras três sequências.

Outros dois longas que vi recentemente foram: “American Heart” (1992 – segunda foto) e “O Pescador de Ilusões” (1991).

Nos dois ele faz um bebum. No primeiro é um ex-presidiário que precisa tomar jeito na vida e tomar conta do filho (Edward Furlong). No segundo é um ex-radialista que precisa tomar jeito na vida e tomar conta de um mendigo (Robin Williams)

Detalhe, em ambos trabalhos, Bridges está de cabelo comprido.

2 Respostas para “Entre o faroeste e a renascença

  1. acho ‘última sessão de cinema’ um filme lindo e triste, grande filme, mas do ‘texasville’ não lembro nada, nadica. só que não era o mesmo bogdanovich (jeff bridges sempre manda bem) do início dos 70, algo ali parecia frouxo, isso eu lembro. não era o bogdanovich de ‘lua de papel’, ‘essa pequena é uma parada’, ‘última sessão’…
    mas falando em jeff bridges. cê viu ‘tucker’, do coppola? e ‘cidade das ilusões/fat city’, do john huston? em épocas diferentes (anos 70 e 80), bridges detona. e são, ao mesmo tempo, dois filmes muito bons, melancólicos e sonhadores.

    • eu gostei do texasville porque parece um novelão, um ritmo bem diferente, várias histórias ao mesmo tempo. não vi “tucker” nem “fat city”, vão direto pra minha lista do netflix! adorei as dicas, valeu! ainda mais pq fat city se passa na California!

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