A chorona e o “Sequestro”

Ontem vi um filme que me fez chorar horrores. Soluçar que nem criança.

Penso, seria um problema meu ou do filme?

Talvez meu. “Sequestro” é bom pra caramba.

Só a música que é péssima. Música sentimenal, para fazer chorar, e o filme não precisa disso. Já tem dor e agonia demais nas histórias dos sequestrados… A música começava e eu parava de chorar. Me lembrava da pieguice da situação. Mas que raios de música é essa meu deus do céu? Talvez o intuito fosse esse, não? Parem de chorar!

A última vez que chorei assim no cinema foi com “O Resgate do Soldado Ryan”. Demorei anos para voltar a ver filmes de guerra. 

Quem curte “Tropa de Elite” tem que ver “Sequestro”. E quem não curte também. Todo mundo tem que ver. Menos meu monge kiwi, caso contrário não pisa mais em São Paulo.

Acho que chorei tanto porque era aniversário de São Paulo e minha família inteira mora lá. Que nojo que eu senti de São Paulo. Que cidade de merda, foi o que eu pensei. Rolou um #datenafeelings. Vergonha.

As comparações com “Tropa” são inevitáveis. Um completa o outro, leva a discussão adiante.

“Sequestro” é documentário, acompanha os bastidores da Divisão Anti-Sequestro da Polícia Civil de São Paulo. O diretor registra caso atrás de caso. Entrevista vítimas, policiais e até mesmo alguns sequestradores sem noção e outros com uma certa noção (como os chilenos que sequestraram o Abilio Diniz em nome de um movimento de esquerda).

O que seria o “capitão nascimento” do filme é um doce de pessoa. Um cara calmo, calculista, com um sotaque meio do interior, fala mansa. Claro, é documentário, o cara não vai fazer o teste do saco plástico para uma câmera de verdade.

Mas o cara é um doce, é inegável. Um herói que todos os críticos que chutaram “Tropa” gostariam de ver nas telas, eu acho. Eu gosto de “Tropa”, muito, dos dois.  

E “Sequestro” é muito mais violento do que “Tropa”. Só com palavras, depoimentos. Só com um pedacinho de pé (de uma vítima que foi morta e enterrada numa favela). É uma violência de cortar o coração.

Fico aqui imaginando como seria misturar os dois filmes. Colocar o cara da DAS no Bope do Rio. E o Capitão Nascimento na DAS de São Paulo. Talvez os dois sejam a mesma pessoa.

“Sequestro” estreia no Brasil em 29 de abril, segundo o FilmeB.

3 Respostas para “A chorona e o “Sequestro”

  1. Fiquei com vontade de assistir, lembro de ter visto um trecho do filme há algum tempo atrás… era história de uma menina de 7 ou 8 anos que havia sido sequestrada.
    A abertura do Soldado Ryan me fez soluçar também, naquele caso a trilha do John Williams é impecavel, talvez uma das melhores da história do cinema. Vale a pena conferir.
    Gostei do teu texto, fiz o curso de cinema da UCLA e hoje trabalho na área… vou voltar mais vezes pra ler as tua impressões. Boa sorte aí.

    • Oi Flavio, valeu pelo comentário! Volte sempre! Esqueci de colocar, vou incluir. O filme tem data de estreia no Brasil para 29 de abril, segundo o FilmeB. Estava pensando em fazer uns cursos na UCLA. Quem sabe este ano…

  2. Tenho certeza que vou gostar muito desse documentário. Aproveito também a deixa para elogiar suas publicações. Estou gostando muito.

    Vou te seguir… Rs…

    Bom trabalho!

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