A arte de dar presentes

agora que passou a época de comprar e dar presentes, posso falar com distanciamento sobre essa atividade tão banal, primordial e ocidental.

eu entro em pânico fazendo compras para os outros. pânico.

porque comprar um presente para alguém significa conhecer este alguém. é um atestado de conhecimento.

exemplo: comprei uma bolsa rosa para uma amiga. uma semana depois lembrei que ela odeia rosa. tive que ir trocar, no meio do rush natalino. o mesmo aconteceu com um perfume para minha cunhada (ela não gosta de perfumes…)

exemplo 2: ganhei dois porta-retratos do papai noel. faz mais de cinco anos que eu não revelo uma foto. o que isto quer dizer? que papai noel dá presentes aleatórios e, como ele não existe mesmo, não faz diferença.

mas e se tivesse sido a minha mãe?

é, foi ela, na verdade. eu fiquei chocada no início. depois comprei a explicação dela, que foi fofa, claro. ela revelou umas fotos que eu tinha mandado das minhas viagens e resolveu colocar em dois porta-retratos novinhos em folha, de grife, carésimos.

o que eu quero dizer é que dar presentes é um jogo diplomático. que natal é, na verdade, uma armadilha para testar seus conhecimentos e sua moral.

dar chocolates para a amiga em dieta não é um bom sinal, certo?

e o que a minha avó quis dizer com aquelas calcinhas tamanho XGG? foram anos e anos recebendo a mesma coisa no natal. este ano ela me deu meias de lã. e finalmente foi perfeito!

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