Tensão (e vômito) no cinema

Por que você vai ao cinema? Hoje, eu fui para sofrer. Já sabia do suplício e mesmo assim fui ver “127 Horas”.

É o “talk of the town”, todo mundo tem falado do filme, teve gente que desmaiou na pré-estreia, tem gente que sai no meio. Ouvi até que alguém vomitou.

Eu fui preparada para sair no meio. Não tenho problema em deixar filme pela metade, gosto sempre de sentar no corredor. Mas eu acabei ficando por pura curiosidade, afinal queria saber o quanto forte era (ou quanto eu sou?).

O filme é o novo trabalho de Danny Boyle, diretor britânico de “Quem quer ser um Milionário?”, longa que arrebatou oito Oscars no ano passado. 

O ator James Franco faz o protagonista e quase único em cena. Ele interpreta um jovem aventureiro que gosta de escalar montanhas. Um dia, ele viaja sozinho para mais um passeio, sem avisar ninguém, e fica enrascado num buraco, preso com o braço numa pedra. São 127 horas de agonia.

Não vou estragar contando o final. Mas é óbvio que a água acaba e ele tem que se virar bebendo o próprio mijo. Nessa hora eu cheguei a levantar para sair, mas voltei. Sabia que o pior ainda estava por vir.

Na hora crítica, quando ele toma uma decisão radical para tentar se livrar da pedra (a tal da sequência que tem feito gente passar mal), fiz também uma coisa horrorosa. Liguei o celular e comecei a checar meus emails. Era um cinema grande, não tinha ninguém do meu lado, nem atrás. 

Passado o terror, esperei o final, fiquei meio emocionada, e fui embora. 

Alguns críticos têm dito que “127 Horas” é muito além dessa “decisão horrorosa” que ele toma. Dizem que fala sobre a solidão, sobre a persistência, que tem um visual incrível.

Para mim, é um sofrimento do começo ao fim, ainda mais porque James Franco é um ótimo ator. Eu não recomendo, mesmo (nem o filme, nem ligar celular no cinema).

 Porque não é uma coisa passageira, como, por exemplo, em “Irreversível”, outro filme “chocante” por causa de uma cena de estupro longa demais. Em “127 Horas”, a agonia de estar preso por uma pedra é de 90 minutos. Vale o ingresso?

“127 Horas” só chega no Brasil em fevereiro. Mas, se você gostou da temática, fique de olho em “Enterrado Vivo”, que estreia em 10/12. O filme traz Ryan Reynolds preso num caixão, enterrado vivo no deserto no Iraque. Aqui, pelo menos, ele levou o celular.

 Ah, e se quiser saber o que afinal acontece em “127 Horas”, dê um google em Aron Ralston, o aventureiro de verdade que inspirou o filme. Arrepiou?

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