rabiscos de aeroporto

Dia desses fiquei presa em Santos Dumont, aeroporto do Rio. Ia embarcar no final de tarde de um domingo de feriado, mas as chuvas não deixaram. No dia seguinte, o mesmo caos aéreo.

“É metereologia”, explicavam os funcionários da Gol. Acho que não tem palavra que cause mais alívio nesses empregados. Afinal, não é culpa deles. Mas a cara de satisfação é bem maior quando eles dizem: “É metereologia, São Paulo fechou“.

E as grávidas que surtam? Com razão, claro. Porque na hora do sufoco não existe fila pra gestante, idoso e cadeirante. Mas uma dica, grávidas sem barriga deveriam usar um crachá (na testa?).

Abro um livro. Uma chatice. Fecho. Volto a olhar os sofredores como eu, no corredor de embarque abarrotado de coitados, suas malas e suas crianças. Uma mãe brinca com um dinossauro de brinquedo com o filho no chão. Meigo.

Troco o livro pela revista. Leio sobre maçonaria e também sobre “Como cai um avião”. Presságio? É a deixa para trocar minha passagem para o dia seguinte.

Como havia previsto a “grávida” furadora de fila, o dia seguinte segue caótico. Engraçado como eu não me abalo, não perco a esportiva, não caio na histeria. É meio um prazer sádico ficar presa num local, sem ter nada para fazer. Sem ter que trabalhar, responder email, falar com chefe, ler notícia.

Nada, não há nada o que fazer. Nem para arrumar a situação, nem algo de útil. Sento e olho. Olho, olho e olho.

Bate aquela ideia de filme. E se eu pegar esse voo para Brasília? Melhor, Manaus? Tem Teresina? Que coisa mais óbvia voltar pra São Paulo. Bate aquela vontade de viajar o mundo e, ao mesmo tempo, nunca mais sair do meu apartamento.

Vejo celebridades, elas sofrem como meus pares. E ninguém pede autógrafo. São todos muito acostumados com celebridades no Rio. Penso em pedir um autógrafo para o marido da Malu Mader, mas não consigo lembrar seu nome…

Obviamento o cansaço vence meu espírito esportivo. Oito horas sem escovar os dentes, banho sem sabonete, abstinência internética… Pelo celular, as notícias são que o mundo segue em frente lá do outro lado.

Seria o purgatório um aeroporto sem avião?

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