Sem Axl, sem manual, sem nada

 

O set list que você não ouviu, nem eu

Meio metro de distância. Era assim pertinho que eu ia ficar do Axl Rose, se o show secreto tivesse acontecido ontem à noite, na Disco.

Não sou fã do Axl 2010. Mas fui do Axl 90, carinha de anjo, madeixas loiras, shortinhos de lycra, “November Rain”, “Patience”. Como eu preciso de “Patience”, meu deus! E estava ali na Disco de gaiata, jornalista convidada.

Pois bem. Isso não é um texto jornalístico. E eu não estava bêbada. Mas vi cenas de cinema pastelão. Preciso registrar esse meu delírio. Afinal de contas, não há versão oficial, correta, não há precisão. Foi uma grande nebulosa que eu posso cravar: foi o melhor show da minha vida.

Um show dos horrores, tipo filme B americano. Ou comédia do Buster Keaton.

Cena um: moça magrela e alta, pinta de modelo, levanta a garrafa de champanhe, cheia, lacrada e ameaça os moços que brigam na pista de dança.

Cena dois: muvuca no corredor do banheiro, ninguém entra, ninguém sai. Cinco seguranças, armários, alguém preso no banheiro dos homens. “Chama a polícia!” “Foi o Pedrinho”. Caraca, o que passa?

Cena três: do lado de fora, dois seguranças saltam uma grade, estilo filme de ação, correm atrás de um sujeito. Conta final, garrafas quebradas num beco. Meio briga de jogo de futebol, homens bufando, suados. Estragou a camisa polo.

Cena quatro: acendo um cigarro, paquero o rodie e vejo um casal, ele segurando ela, de salto mega, minissaia, trançando as pernas no tapete vermelho. Lá dentro, outra magrelinha de salto tomba como um palito solto de pé na mesa de bar. Puf. Ninguém segura.

Cena cinco: Mion, fala comigo? O que passa, cadê o Axl? Silêncio.

E cena seis e última: o gordinho prateado do Pânico corre para distribuir pontapés na galera. Alguém cai no chão, saco de pancada. Alguém tenta segurar o cabo de luz do operador de TV, prevejo um Star Wars, o povo se contém. Pena.

Fechamento: promoter tem momento de sinceridade, prestes a zarpar no mega carro playboy, 3h30. Inventaram o lance do hospital só para queimar o Axl, diz. Tadinho. Dos dois. Dos três, contando eu.

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