Mulheres da Turquia

 

Passei uns dias viajando pela Turquia, país lindo, cheio de histórias, gente simpática. Cruzei com muitos brasileiros. É um lugar barato, com cidades para todos os gostos, seja nadar pelas ilhas de Bodrum, caminhar pelas ruínas da Cappadocia ou beber todas nos bares de Istambul.

Apesar de não ter visto um único sem-teto pelas seis cidades em que passei, o país esconde uma realidade triste para as mulheres. Não é uma coisa à vista dos turistas, é preciso conversar com os locais ou ler a respeito.

Na semana em que embarquei, a edição da revista “The Economist” trazia um artigo sobre o caso: 42% das mulheres acima dos 15 anos já sofreram violência física ou sexual. E quatro quintos dos 5,7 milhões de analfabetos do país são mulheres (a população geral é de 73 milhões).

O texto era para dar conta das eleições gerais do próximo dia 12. Hoje, dos mais de 500 parlamentares, apenas 50 são mulheres.

 Conversando com um jovem turco, que disse trabalhar para as Nações Unidas, fiquei sabendo que o principal problema social na região da Cappadocia é o suicídio de mulheres, angustiadas com traições e violência doméstica.

 Curioso que este mesmo rapaz se considerava bastante religioso e criticava a “modernização do governo”, considerado uma democracia secular desde os anos 1920, embora a maioria da população seja muçulmana.

 Para Ruth, uma vendedora de tapetes neozelandesa, é justamente este radicalismo religioso de grupos da sociedade e até mesmo de membros do governo que prejudica a situação das mulheres. Em 23 anos de Turquia, ela diz que nunca viu tantas se cobrindo e cada vez mais da cabeça aos pés, num sinal do avanço do conservadorismo, segundo ela.

 Ruth lembra os comentários do primeiro-ministro do país, que disse que a mulher turca tem que ter no mínimo três filhos, e de um prefeito que afirmou que o lugar da mulher é em casa e não nas ruas (para evitar o constrangimento das cantadas, assobios e afins).

 Na saída da Turquia, mostrando meu passaporte para um policial, ele comentou comigo que, como jornalista brasileira, eu precisava ajudar os pobres favelados do Brasil. Pensei em perguntar o que ele faz para ajudar as mulheres turcas, mas achei melhor ficar quieta.

 

OBS - A primeira foto é da mesquita Azul, ao entardecer, e a segunda foto é da fila para entrar na sala das joias do Palácio Topkapi, ambos em Istambul.

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